Bjos no coração.
(Lucinharib)
Reticências... Blog destinado à troca de experiências nas áreas de educação especial e inclusão social; educação e economia; política educacional; família e comportamento; diversidade; acessibilidade; direitos do deficiente; cibercultura e novas tecnologias de informação e comunicação, aplicadas a educação em todo âmbito nacional e internacional. *** "Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda" (Paulo Freire)***

Sou veterinário, e fui chamado para examinar um cão da raça Wolfhound Irlandês chamado Belker. Os proprietários do animal, Ron, sua esposa Lisa e seu garotinho Shane, eram todos muito ligados a Belker e esperavam por um milagre.Examinei Belker e descobri que ele estava morrendo de câncer. Eu disse à família que não haveria milagres no caso de Belker, e me ofereci para proceder a eutanásia para o velho cão em sua casa. Enquanto fazíamos os arranjos, Ron e Lisa me contaram que estavam pensando se não seria bom deixar que Shane, de quatro anos de idade, observasse o procedimento. Eles achavam que Shane poderia aprender algo da experiência.
No dia seguinte, eu senti o familiar "aperto na garganta" enquanto a família de Belker o rodeava. Shane, o menino, parecia tão calmo, acariciando o velho cão pela última vez, que eu imaginei se ele entendia o que estava se passando. Dentro de poucos minutos, Belker foi-se, pacificamente. O garotinho parecia aceitar a transição de Belker sem dificuldade ou confusão.
Nós nos sentamos juntos um pouco após a morte de Belker, pensando alto sobre o triste fato da vida dos animais serem mais curtas que as dos seres humanos. Shane, que tinha estado escutando silenciosamente, saltou, "Eu sei porque." Abismados, nós nos voltamos para ele. O que saiu de sua boca me assombrou. Eu nunca ouvira uma explicação mais reconfortante.
Ele disse:
-- "As pessoas nascem para que possam aprender a ter uma boa vida, como amar todo mundo todo o tempo e ser bom, certo?"
o garoto de quatro anos continuou...
-- Bem, cães já nascem sabendo como fazer isto, portanto não precisam ficar aqui por tanto tempo.

O filme As Chaves de Casa (2004) do diretor Gianni Amelio trata com muita sensibilidade da relação entre a família e a pessoa com deficiência, que no caso específico do filme se trata de um garoto com paralisia cerebral devido a complicações no seu nascimento ocasião na qual perde a mãe, passando a ser cuidado por seus tios, pois o pai só aos poucos consegue assumir sua paternidade.
A difícil relação pai/ filho
Paolo (Andrea Rossi) é o filho que Gianni (Kim Rossi Stuart) não gostaria de ter por isso passa boa parte de sua vida negando-o, até o
momento em que pode assumir a responsabilidade por ele, mas o estabelecimento de uma relação verdadeira com o filho se dá de forma progressiva e com muitas dificuldades, o pai deve acompanhá-lo pela primeira vez as sessões de fisioterapia no hospital de Berlim, este é o local em que toma contato com um mundo que não conhecia, passa a conviver com pais na mesma situação que a sua como Nicole (Charlotte Rampling) que se dedica integralmente aos cuidados da filha ao mesmo tempo em que passa a admirar a determinação do seu filho durante a convivência, levando-o aos poucos a assumir sua paternidade, e é dessa forma que descobre seu filho, seus gostos, suas fantasias assim como este descobre o pai, suas fraquezas, seus limites para muito além das aparências.
Podemos ver que a chegada acidental de uma criança com deficiência em uma família é capaz de desestruturá-la, mas isso não se deve unicamente as dificuldades práticas que uma pessoa com limitações físicas pressupõe, antes e com grande relevância os aspectos psicológicos na relação entre pais e filho com deficiência, determinam o sentido que tal deficiência terá na vida dessas pessoas, nesse sentido, mesmo nos casos em que o fator orgânico entra em jogo a criança terá que encarar não apenas uma dificuldade inata, mas ainda a maneira como os pais utilizam essa dificuldade orgânica no seu mundo psíquico e que acaba sendo comum a esses indivíduos, ou seja, a limitação física ou intelectual passa a ter um sentido específico para os pais na relação com o filho mantendo um padrão de conduta que pode ser no sentido de negar autonomia ao filho quando os pais se baseiam na crença de este é incapaz.
A chegada da pessoa com deficiência
Para os pais o nascimento de um filho é como uma compensação, após muito tempo de preparação e expectativas o nascimento corresponde a objetivação da felicidade e quando uma certa deficiência é constatada perde-se muitas referências de identificação que estão ausentes nesse filho, vive-se então a angústia, isto é, a impossibilidade de simbolizar toda a situação vivida em palavras, vemos no filme duas alternativas complicadas para os pais: uma é a negação e a outra é a dedicação exclusiva a esse filho, quando o personagem do pai nega qualquer relação com um filho que nasce com uma deficiência, pois não é capaz de identificar-se com este, a única alternativa é se ausentar até que possa elaborar a perda de uma imagem de filho que não encontra similaridade no real.
A psicanálise no entendimento da deficiência
Podemos dizer junto com Mannoni (1995) que o nascimento de um filho pode ser para a mãe em particular, a concretização de seus sonhos, algo que que a preenche, uma possibilidade de reparar aquilo que na sua história de vida estava incompleto ou teve que renunciar, desde antes de sua concepção o filho tem um lugar imaginário na mãe que com o nascimento se objetiva no bebê, quando este filho nasce com uma deficiência passa a denunciar para ela suas próprias deficiências passa a dedicar-se exclusivamente a ele numa tentativa reparadora de si própria, contudo é uma relação que acaba por ocultar um desejo de aniquilação daquele que carrega seus sonhos perdidos, como podemos ver em um certo momento do filme, no qual Nicole até então vista por Gianni como a fortaleza em pessoa declara seu desejo de morte em relação a sua filha com paralisia cerebral, a pergunta que se faz é: “porque ela não morre?” No entanto, não que ver sua questão respondida, por isso continua a fazê-la, no momento dessa indagação o que necessita é de uma testemunha a qual possa demonstrar que por detrás de uma máscara de tranquilidade se encontra a angústia. Na sua relação com uma filha que não corresponde aos seus desejos a ausência de diálogo cria uma relação onde a solidão é total, preocupando-se com ela cria-se uma relação onde o “doente” é aquele que é cuidado, não aquele que cuida.
O lugar da pessoa com deficiência
A pessoa com deficiência não tem lugar na sociedade, seu destino é sempre condenado já desde o momento da constatação de sua diferença, tem por destino tornar-se objeto de alguém ou de algo, é levado a se re-educar desde muito cedo, primeiro pela mãe, depois pelos diversos dispositivos sociais, somente quando se oferece para a pessoa a possibilidade de ser, isto é, reconhecer-se como ser humano autônomo é que os benefícios da re-educação podem ser melhor aproveitados, isso porque sua força de vontade não se encontra dependente de um outro, só então as noções de deficiência poderão ser questionadas.
Referência Bibliográfica:
MANNONI, M. A criança retardada e a mãe. 4ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
O que desejo é que tenhamos um governo com preocupação social e humanitária. Mas a questão central não é apenas o candidato, mas sim o Partido ao qual ele pertence. . O próprio TSE – Tribunal Superior Eleitoral erra na campanha pela TV ao pregar o voto apenas no Candidato, insistindo que se avalie somente a honestidade e a competência individual. É claro que isto é importante mas a meu ver há um “esquecimento” intencional ou não da função dos Partidos que nas Democracias tem papel fundamental na continuidade das políticas de governo.
Tem muita gente repetindo a ladainha de que todos os partidos são iguais, mas essa opinião não resiste a 5 minutos de argumentação.
Basta ver as atitudes tomadas pelos partidos quando assumem o poder.
Exemplos:
PSDB e DEMO – Ex PFL, estiveram oito anos no poder, sendo que o PFL estava desde o fim da Ditadura. Praticaram o Neo-liberalismo selvagem, entregando o país a sanha do capital especulativo. Privatizaram ou doaram tudo o que puderam num processo marcado pela Corrupção (que a mídia não investigou), aumentaram os impostos de 25% do PIB (Governo Itamar) para 36% (Final do governo FHC). Pagaram a banca internacional como nunca, mas a dívida externa dobrou e a interna foi multiplicada por oito. Retiraram direitos de trabalhadores (Contratos temporários) e de aposentados (Fator Previdenciário) alegando que isso geraria empregos mas acabou produzindo mais miséria e exclusão. Nos Governos Municipais e Estaduais repetem a mesma receita vencida.
Já no atual Governo, apoiado pelos partidos de esquerda, PCdoB, PT, PSB, PDT, PHS e outros, todos de tendência socialista e demais partidos da base como PR e PMDB que também possuem no seu interior preocupações sociais um pouco mais fortes, as diferenças de ação são gritantes. Apesar da constante disputa entre as forças progressistas e as forças do atraso que se fazem presentes na forma de pressão de todos os tipos (inclusive da Mídia que é da Direita) têm sido rechaçadas as constantes tentativas de se retirar mais direitos de trabalhadores e aposentados. O Governo convoca regularmente as Conferências Nacionais (da Mulher, do Idoso, do Jovem, do Índio, do Esporte, etc) com as quais a Sociedade é ouvida e os Ministros recebem as linhas diretivas das políticas públicas. O processo de privatização foi paralisado e quando foi tentado (no caso das estradas) os valores de pedágio obtidos foram cerca de 70% mais baixos. Foi iniciado um programa estruturante para o crescimento – o PAC – que mesmo com a torcida negativa da mídia vai vencendo resistências (IBAMA, TCU e Lei das Licitações) preparando o país para os próximos 20 anos. Mesmo com todas as deficiências e debilidades do nosso país, nos tornamos auto-suficientes em petróleo e com o pré-Sal seremos exportadores e se não fosse a crise americana provocada pelo desgoverno Bush, a meta de 10 milhões de empregos seria cumprida facilmente. Na saúde foi aprovada a emenda 29 e foi aprovada Tb. a CSS – Contribuição Social para a Saúde de 0,1 % sobre movimentações financeiras, teremos mais recursos para o Setor. Na educação foi aprovado o Fundeb que criará as tão sonhadas creches de tempo integral que permitirão aos pais e mães deixarem seus filhos em uma instituição educacional e trabalharem tranqüilos. Estão sendo construídas 10 novas Universidades Federais (ainda é pouco) e mais 200 Cefetes e com o Pró-uni vários estudantes de baixa renda têm bolsas parciais ou integrais em faculdades particulares. O país cresce e cada vez mais e mais pessoas passam a integrar a classe média.
Só uma coisa me preocupava:
“Que as críticas feitas a Lula e seu Governo, alegando coisas que não foram feitas ou que estão erradas somente serviam a um propósito, que é fazer retornar o PSDB, o DEMO ou seus comparsas ao poder em 2010. Se isto tivesse ocorrido, além de não fazerem nada daquilo que criticam ainda desmontariam o pouco que foi conseguido. Caso eles tivessem tomado o poder, quem governaria o Brasil seria a falida Wall Street (o muro que caiu) e a Casa Branca.
Nossa tarefa é olhar o país que queremos para o futuro e procurar comparar os governos. Talvez agora possamos avançar mais, gerando mais emprego e distribuindo renda de forma mais justa e igualitária com um governo comprometido com o social. Pelo menos em quatro anos não retornaremos ao período caótico que foi de 94 a 2002 onde o país foi a falência econômica e social.