Resenha do livro do autor Içami Tiba - Médico psiquiatra, psicodramatista, colunista, escritor de livros sobre educação familiar, escolar e palestrante ...
PARTE 2
O desafio dos professores
Na disciplina é preciso levar em consideração as características de cada um dos envolvidos no caso: professor e aluno, além das características do ambiente.
1 Professor propriamente dito.
Para poder ensinar, é necessário saber o que se ensina. Isso se aprende no currículo profissional. Saber como ensinar: o professor Precisa conseguir transmitir o que sabe. Pode ser um comunicador nato ou vir a desenvolver essa qualidade por meio da própria experiência.
2 Coordenador do grupo de alunos. Esta função não é habitualmente ensinada no currículo, pois exige um conhecimento mínimo de dinâmica de grupo, bem como noções básicas de psicologia para manter a autoridade de coordenador. Sala de aula não é consultório; escola não é clínica. Portanto, na função de coordenador de alunos, o professor tem que identificar as dificuldades existentes na classe para poder dar um bom andamento à aula.
3 Membro do corpo docente. Um professor pode ouvir a reclamação de um aluno sobre outro professor e fazer com que chegue ao envolvido para que este possa tomar alguma providência no sentido de responder adequadamente à reclamação. Seria falta de lealdade e falta de ética, ficar sabotando os colegas perante os alunos. Os professores devem ajudar-se mutuamente, como fazem os estudantes. Se muitos alunos queixam-se de um único professor, é sinal de que algo está errado. A única forma de solucionar um problema é identificar o erro. Como todo ser humano, o professor também pode estar errado. O fato de ser professor não é garantia de estar sempre certo.
4 Empregado de uma instituição. Como todo empregado, o professor tem direitos e obrigações. Eventuais insatisfações ou desavenças empregatícias devem ser resolvidas por meio dos canais competentes. Não podem (nem devem!) ser descarregadas nos alunos, que não têm a ver com o problema. Os alunos correm o risco de ser manipulados pelo professor em virtude da própria posição de poder que ele exerce na classe. A maior força do professor, ao representar a instituição escolar, está em seu desempenho na sala de aula. Portanto, ele não deve simplesmente fazer o que bem entender, sobretudo perante as indisciplinas dos alunos. Numa escola em que cada professor atua como bem entende, haverá, com toda a certeza, discórdias dentro do corpo docente e os alunos saberão aproveitar-se dessas desavenças, jogando um professor contra outro. Por isso é importante que os professores adotem um padrão básico de atitudes perante as indisciplinas mais comuns, como se todos vestissem o mesmo uniforme comportamental. Esse uniforme protege a individualidade do professor. Quando um aluno ultrapassa os limites, não está simplesmente desrespeitando um professor em particular, mas as normas da escola. O aluno também é peça-chave para a disciplina escolar e o sucesso do aprendizado. Atualmente, a maior dificuldade que encontra para estudar é a falta de motivação. Estudar para quê? Para passar de ano? Para ganhar presente? Para ter sabedoria? Para os pais não “pegarem no pé”? Entretanto, quando estão interessados em algum assunto em particular (computação, música, esporte, coleções etc.), são as pessoas mais animadas, empreendedoras e... disciplinadas. O ensino fundamental e médio tende a ser aprovativo, o que estimula (no passado mais ainda) o estudo suficiente apenas para passar de ano, com conhecimentos, muitas vezes, descartáveis após a prova. Já o vestibular para a faculdade é um sistema competitivo e depende da sabedoria; portanto, a motivação para estudar é acumular saber, bem diferente de atingir uma média 5 para não repetir de ano. No vestibular, o fator sorte é mais decisivo quanto menor for o conhecimento. Trata-se de um fator imponderável, que pode fazer “cair na prova” o que o vestibulando mais estudou e “não cair” justamente o que estudou.
Portanto, quanto mais estudar, isto é, quanto mais conhecimento tiver, menos ele dependerá da sorte, afinal, mais preparado estará. Em termos de sabedoria, quanto mais se sabe, mais se quer aprender. Em termos de ignorância, quanto menos se sabe, mais se pensa que não é preciso saber mais...O ambiente também interfere na disciplina. Classes muito barulhentas, nas quais ninguém ouve ninguém; salas muito quentes, escuras, alagadas ou sem condições de acomodar todos os estudantes, são locais pouco prováveis de conseguir uma boa disciplina. No entanto, a condição ambiental mais prejudicial é o estado psicológico do grupo. Uma escola em crise, que esteja passando por greves e os consequentes conflitos entre a classe e o professor, o professor e a escola e sua falta de motivação devido ao baixo salário, as horas exaustivas que tem que se submeter com trabalhos em excessos são situações que dificultam o aprendizado. Um professor que trabalha numa instituição que sempre protege o aluno, o cliente, independentemente do fato de este estar ou não com a razão, não tem o respaldo da instituição quando precisa. Quem pode trabalhar bem nessas condições? (Por :Lucinharib)
Causas da indisciplina na escola
* Distúrbios de ordem pessoal: psiquiátricos; neurológicos; deficiência mental; distúrbios de personalidade; distúrbios neuróticos; etapas do desenvolvimento: confusão pubertária;
onipotência pubertária; estirão; menarca/ mutação; onipotência juvenil; síndrome da quinta série;
distúrbios leves de comportamento; uso e abuso de drogas.
* Distúrbios relacionais: educativos; entre os próprios colegas; por influência de amigos; distorções de auto-estima.
*Distúrbios e desmandos de professores.
Resenha do livro: Icami Tiba : Limites e disciplina na escola
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